DEPENDENCIAS-TRATAMENTOS.
O objetivo deste trabalho é orientar os responsáveis pelo setor de R.H. quanto aos problemas originados pelo abuso do álcool e outras substâncias químicas.
Incluindo o alcoolismo e outras dependências químicas em seu Plano Interno de Saúde haverá a detecção precoce dos dependentes químicos para que, também precocemente, possam ser orientados e tratados. Para isso é imprescindível que os administradores estejam atentos aos possíveis casos destas doenças em suas áreas de atuação.
Recomendamos que este folheto seja lido por todos e que seja ampla e cuidadosamente discutido e utilizado rotineiramente como orientação para os casos de mau desempenho que venham a ocorrer.
Frisamos: ao administrador cabe, tão somente, identificar, o mais cedo possível, os casos de má atuação funcional unidade disciplinar em sua área de abrangência e encaminhá-los para o setor de R.H.
Quem é o dependente químico
Entende-se por alcoolista ou dependente do álcool todo indivíduo que tem tolerância aumentada ao álcool, isto é, precisa ingerir quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito. Além disso, seu comportamento do dia-a-dia gira essencialmente em torno da bebida – ela tem a prioridade, por ela o indivíduo pauta todas as suas ações. Em sendo privado do álcool – por um período médio de 8 horas – é vítima de sintomas tais como tremores, náuseas e vômitos, suores abundantes, nervosismo, que só são aliviados por nova ingestão de álcool.
É necessário reconhecer que existe também o bebedor-problema, não necessariamente dependente do álcool, conhecido como “aquele que não sabe beber”. É o indivíduo que eventualmente bebe em excesso e cria toda uma série de atritos, discussões, brigas, sofre e provoca acidentes, por vezes fatais, particularmente ao dirigir embriagado. Deve, pois, ser também objeto de atenção. O uso recreacional de outras drogas, ainda que ocasionalmente, pode também produzir quadros similares. A dependência de outras substâncias químicas tem características bastante parecidas às do álcool. Seus efeitos, contudo, são diversos.
Como reconhecer o problema
Existe uma série de alterações da conduta que indicam estar o indivíduo agindo sob influência de fatores estranhos, os quais podem ser o álcool ou outras drogas. São os chamados indicadores que constituem o meio principal a ser usado pelo administrador na identificação desses funcionários, inclusive por ocasião de avaliações.
Os indicadores mais freqüentemente observados são:
Impontualidade – raramente o funcionário chega na hora, justificando-se com motivos variáveis e inconsistentes.
Ausência – saídas durante o expediente, serviços externos demorados, almoços e pausas prolongadas podem ser devidos à necessidade de beber mais um pouco e manter o nível álcool estável no sangue ou, da mesma forma, usar a substância química causadora da dependência.
Declínio da produtividade e da qualidade do trabalho – acumulam-se as tarefas, os serviços saem incompletos, mal estudados; podem surgir diferenças de caixa. Tudo precisa ser refeito, pois às vezes a execução se dá sob efeito do álcool ou outra substância química. O trabalho já não merece confiança.
Perdas e danos materiais – desperdício de material de expediente. Por vezes, ocorrem furtos para fazer frente às dívidas. Não há suprimento que baste.
Acidentes de trabalho – ocorrem quedas, colisões com móveis. Os acidentes de vulto ocorrem fora da empresa, em sua maioria no trânsito, no percurso da residência para o trabalho ou deste para aquela.
Endividamento, necessidade de outros rendimentos – alcoolistas são perdulários, com facilidade são roubados por indivíduos inescrupulosos. Pagam contas com atraso. O salário não basta, procuram fazer horas extras. Pedem emprestado aos colegas e amigos. Começam a surgir os cheques sem fundos. Os usuários de outras drogas, com mais razão, se endividam, pis elas são caras e ainda há o preço da corrupção em torno das mesmas.
Problemas de relacionamento – conhecido como alguém que abusa da bebida, o dependente do álcool não tem estabilidade suficiente para resistir às pressões, às críticas, às cobranças. Sente-se culpado, tem compulsão para beber. Tudo isto gera irritação, hipersensibilidade às críticas, levando à insubordinação, dificuldades com colegas e clientes. O dependente de outras drogas também apresenta esse tipo de problema, embora mais furtivamente.
Absenteísmo – faltas freqüentes justificadas com atestados médicos com diagnósticos que se repetem, mal definidos, genéricos, mas nunca mencionando as drogas como causa. Esses atestados quase sempre cobrem faltas ocorridas no começo da semana. Os diagnósticos mais comuns no alcoolismo são: gastrite, úlcera, diarréia, disenteria, debilidade, nervosismo, estafa, estresse, ansiedade, colite, crise hipertensiva. É um ponto a merecer a maior atenção do administrador – deve-se sempre enviar o funcionário que apresenta repetidamente estes atestados a um exame médico cuidadoso para que seja estabelecida a causa real destes sintomas. As ausências injustificadas são devidas a várias causas: bebedeira mais prolongada; intoxicação alcoólica(“porre ou ressaca”); complicações médicas do abuso do álcool; complicações legais – cobranças judiciais, de pensão alimentícia, ações de despejo, notificações policiais, prisão por delitos de tráfego, agressões; problemas familiares, conjugais ou com filhos. A intoxicação aguda e os problemas legais são, igualmente, encontrados nos outros dependentes químicos. As razões médicas para suas ausências são: perda de sono ou sonolência exagerada, que não o deixam chegar a tempo ao trabalho; diarréias, confusão mental; apatia; estados alucinatórios; infecções diversas, etc.
Problemas disciplinares – irregularidades, indisciplinas, infrações em geral fazem parte de estágio avançado da doença. Há casos em que só se toma conhecimento da doença do funcionário por ocasião de grave indisciplina, mas que já vinha se anunciando há longo tempo, através dos diversos indicadores de mau desempenho, não percebidos pelos superiores imediatos, e que são objeto de freqüentes preocupações, desgastes, depoimentos, inquéritos por parte dos gestores.
Problemas familiares – principalmente nas agências de menor porte, em que há maior inter-relacionamento entre todos os funcionários, é habitual saber-se de sérias perturbações na harmonia familiar sem que haja qualquer deslize na atuação funcional. Isto levará certamente, em algum tempo, a problemas de desempenho, daí a importância de estarem os administradores alertados para este fato e poderem usar sua influência em alguma forma de abordagem do problema.
Importante: todos estes indicadores tornam patente que o mau desempenho existe e é devido a alguma causa externa, estranha às condições de trabalho. Quase sempre se percebe ou se sabe que o funcionário é alcoolista ou usuário de outras drogas. Mas não cabe ao administrador fazer o diagnóstico. Não é sua obrigação. E – mais importante – podem haver outras doenças ou fatores responsáveis pela situação. A tarefa do administrador unidade do superior imediato é de assinalar o mau desempenho e todos os dados que, indiscutivelmente, o caracterizam. Posto isso, deverá confrontar o funcionário em débito com sua eficiência e encaminhá-lo ao setor responsável pela saúde para que se chegue ao diagnóstico médico e social do caso e à orientação indicada – uma para os alcoolistas e demais dependentes químicos, totalmente outra para as várias outras doenças ou distúrbios pessoais, familiares e sociais que podem levar ao mau desempenho. Todas são – ou deveriam ser – preocupação do gestor, pois o que está em causa é a atuação insatisfatória, a eficiência comprometida. O alcoolismo é causa insidiosa, leva bastante tempo a se demonstrar na plenitude, daí a importância destes indicadores serem observados, levados em conta, avaliados. Já a dependência de outras drogas provoca alterações de comportamento, dificuldades sociais e complicações médicas mais precocemente. Ocorre em indivíduos mais jovens e o mau desempenho é percebido mais rapidamente.
O que os administradores Podem fazer?
No lidar com o funcionário, de modo geral, é importante que o administrador estabeleça regras que serão de grande validade quando houver problemas de má atuação unidade disciplinares:
- estabelecer níveis esperados e mensuráveis de desempenho para todos os subordinados;
- não tolerar mais de um funcionário d que de outro, qualquer que seja o caso e a razão;
- evitar fazer julgamentos pessoais, não se envolver emocionalmente com o funcionário problema e garantir a confidencialidade;
- fazer sua equipe funcionar, cumprir sua tarefa, preocupar-se com desempenho que, se insatisfatório, deve ser documentado de forma incontestável, para apresentação ao faltoso;
- não fazer diagnóstico médico, mas detectar o mau desempenho, sem discutir causas, sem apresentar justificativas, sem acobertamento. Encaminhar o caso ao setor apropriado para diagnóstico, indicação do tratamento, planejamento para a volta ao trabalho e continuidade do tratamento;
- aceitar o funcionário de volta à sua área de atuação sem preconceitos, cobrando dele o mesmo nível de rendimento dos outros, embora atento aos problemas de recaída para imediata reavaliação;
- assegurar ao funcionário que a aceitação ou não do tratamento não implica em quaisquer medidas disciplinares. Deixar claro que a atuação irregular, o comportamento insatisfatório, a má execução do trabalho é que serão passíveis de medidas disciplinares;
- apresentar a assistência oferecida pela empresa como uma oferta positiva de ajuda. Lembrar ao funcionário que o acompanhamento social é parte da assistência. A ajuda é possível e disponível;
- divulgar a política de controle do alcoolismo e demais dependências químicas entre seus funcionários, principalmente aqueles com possíveis problemas desta ordem.
- Vale a pena investir na recuperação
Em várias empresas encontramos indivíduos em fase produtiva, jovens e ainda não gravemente dependentes do álcool e de outras drogas. Quanto mais cedo é detectado o problema, maior a possibilidade de recuperação, preservando a força de trabalho e valorizando o funcionário como ser humano.
Recuperar o dependente químico, além de altamente recomendável do ponto de vista ético e social, é medida economicamente vantajosa já que proporciona diminuição dos gastos com assistência à saúde, redução do número e da gravidade do trabalho, diminuição do absenteísmo, aumentando a produtividade.
Assim sendo, é indispensável a integração de cada funcionário ao Plano Interno de Saúde da empresa, de modo a possibilitar assistência adequada aos servidores e suas famílias, promovendo saúde e bem-estar social.